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Entrevista

Experiência empresarial, vontade de inovar e amor pelo que faz

Maurício Chagas de Oliveira é filho de industriais e ainda muito jovem percebeu sua veia de empreendedor. Trabalhava na fábrica de bebidas da família, fundada em 1926, trazendo desta época a experiência administrativa e o gosto pela inovação. Ao visitar o extremo sul da Bahia apaixonou-se pelo lugar, seu faro para bons negócios o levou a criar, em 2003, o Hotel Residencial do Mirante, que verificou um aumento de mais de 100% na freqüência de hóspedes em relação ao ano passado.

Entrevista

1. Qual o seu tempo de experiência empresarial?

Desde meus 14 anos trabalho, acabei me tornando empresário e sempre gostei de criar coisas novas. Após o falecimento do meu pai, tive uma separação dos meus irmãos e passei a ser um empresário da distribuição da cerveja. Na época do lançamento da Skol em BH eu participei e tivemos uma distribuidora que era a quarta do Brasil. Fiquei nesse ramo de distribuição de cerveja até 2003, quando passamos para outros empreendimentos, com a compra da nossa empresa pela AmBev. Essa compra deu origem a vários outros negócios, dentre eles apareceu a oportunidade de mudar de setor. Gostamos muito da região e surgiu a idéia “por que não participar desse desenvolvimento turístico”. O crescimento não foi tão rápido quanto o esperado, mas tento caminhar na frente como em outros setores que trabalhei. Resolvi que faria um empreendimento com um toque pessoal, como uma água boa, potável, e para tanto foram instaladas duas estações de tratamento de água. Aqui na Pousada do Mirante você pode tranquilamente beber da água que sai de qualquer torneira.

2. Em quais segmentos o senhor já atuou?

O maior e mais antigo foi o ramo de bebidas, aliás até hoje participo de uma distribuidora de bebidas, tenho uma participação em uma empresa de fomento. Procurei no turismo o desenvolvimento, superando as dificuldades estruturais da região.

3. O que o levou a optar pelo tão concorrido setor hoteleiro?

Primeiro foi a beleza do lugar, depois a previsão de um “boom” turístico para a região, via o investidor estrangeiro participando e acreditei que o capital nacional também poderia ter seu espaço.

4. Quais foram os fatores que influenciaram na decisão de investir no Extremo Sul da Bahia?

Principalmente a já citada beleza, que nos extasia ao olhar as praias maravilhosas que a Bahia tem, esse mar quentinho, tudo muito bom!

5. Considerando a massiva promoção da Bahia como destino turístico, existem dificuldades em atuar no setor nesta região do Estado?

São dificuldades estruturais: não se tem uma estrada para trazer o turista, um aeroporto. Quem se sacrifica pra ter isso aqui já está cansado de se sacrificar; não tem harmonia, não tem um conjunto de pessoas participando de um programa que realmente dê estrutura à região.

6. Como analisa hoje, em termos de infra-estrutura, equipamentos e qualificação pessoal, a atividade turística na Costa das Baleias?

A impressão que eu tenho é que, em certa época bem próxima, o baiano não sabia receber. Nem o de Salvador nem de outros lugares. Eu participava das viagens e era uma grosseria intensa ao receber alguém. Há uns 8 anos eu fiquei admirado como até o taxista de Salvador tinha mudado, como tinha adquirido conhecimentos sobre pessoas e lugares, como sabia falar daquilo, fiquei impressionado. Acho que estão fazendo um trabalho espetacular por lá, esperava que esse trabalho viesse pra cá também. Tenho visto várias propostas de ação, o que falta é um cronograma, organização pra realmente realizar isso.

7. A que se deve o aumento de mais de 100% na freqüência da Pousada do Mirante? O que poderia ser melhorado para atrair mais freqüentadores?

Continuar no caminho que estamos trilhando. Profissionais bem treinados, a participação da nossa gerente é essencial, uma pessoa em quem deposito muita confiança e esperança e que tem correspondido, não só por ter trazido o hóspede como também no operacional, no dia-a-dia, no tratamento com os outros funcionários, o que trouxe um retorno melhor do que tínhamos.

8. Cite alguns diferenciais da Pousada do Mirante.

Um eu já citei: a água, importantíssima. Geralmente nas praias da região a água é salobra, amarela, escura. Aqui não, você chega, abre a torneira e encontra aquela água cristalina, muito boa inclusive para consumo humano. Outro diferencial, que eu considero um investimento muito bom, é a lavanderia industrial, toda bem planejada, munida de máquinas de excelente padrão, que se tornou não só de utilidade para a Pousada do Mirante como também para vários outros hotéis inclusive de outras cidades. A gente tem lavado a roupa de todo mundo (risos)

9. Alguma vez o senhor já se arrependeu por ter optado por esta área?

Não. Não porque eu não tive tempo ou algum estalo na cabeça de “ei, por que não aqui ao invés de lá?” ou “por que não lá ao invés daqui?”. Eu fiz aqui, espero vencer aqui. Sou uma pessoa muito constante.

10. E o senhor está satisfeito com o segmento hoteleiro?

Continuo achando magnífico, gostaria de ter me dedicado a este setor há mais tempo. Teria mais experiência, a minha veio agora, de 2003 pra cá. Vamos ver se eu fico bom, ainda quero ficar bom nisso! Eu tenho a dizer o seguinte: a humildade é tudo na vida. Para você vencer, o principal é a humildade. O empresário fala muito “olha o salto alto, é um perigo”, então tenho comigo desde criancinha que é preciso ser humilde. Humildade sempre te leva pra frente, é um fator que em qualquer lugar todo mundo gosta da pessoa que procura uma realidade mais “pé no chão”. Não é vergonha nenhuma você ter atos humildes, botar pra fora, espelhar nos olhos a sua alma. Isso é a primeira impressão que a pessoa acata e te recebe, você tem 10 pontos à frente quando é humilde. É o conselho que dou pra todo empresário, procure não ser aquele que chega por cima, mas aquele que chega por baixo, devagarzinho, procurando seu lugar ao sol.

11. Como o governo do Estado tem apoiado e pode apoiar a atividade turística na Bahia?

Na minha opinião o governo, principalmente o da Bahia, tem realmente dado apoio dentro do possível e até acima do que pode. Em certa época, não falando de política, nós tivemos o Antônio Carlos Magalhães que deu um pontapé bacana no turismo e, sem fazer apologia, acho que realmente era um camarada que gostava disso aqui. O que nós temos é graças ao pontapé dele.

12. Em se tratando de projetos para o futuro, o senhor tem em vista algo interessante ou a expansão dos projetos que já estão em andamento ainda são o foco?

A esperança é meu forte. Sempre fui um otimista esperançoso, ou um esperançoso otimista, então tenho feito planos, como eu falei, sempre com o pé no chão. Agora estou em um compasso de espera, pois o que havia para fazer neste local já foi feito. Espero agora alguma coisa boa acontecer para dar aquele empurrãozinho, como o funcionamento de alguns aeroportos das redondezas, pois a máquina está aí com seus pneus e motor funcionando, precisando de um combustível a mais. Por exemplo, o que nos oprime é a falta de uma condução rápida para que a pessoa possa aproveitar sua estada. Antigamente as pessoas iam de navio para a Europa, o que levava 10 dias, hoje você dorme aqui e acorda em Portugal ou na Rússia. As pessoas pensam em um final de semana para seu descanso, precisam buscar cidades que não ficam distantes de seu trabalho. No nosso caso, temos buscado um contato maior com Teixeira de Freitas, Itamaraju, Eunápolis e cidades do norte do Espírito Santo, de onde temos recebido muitas pessoas – que em 3 ou 4 horas estão aqui. Se houvesse um aeroporto próximo, a viagem de 3 ou 4 horas poderia trazer pessoas de todo o país. Poderíamos pensar em pacotes e promoções, organizar passeios, teríamos condições de fechar outros empreendimentos que aumentariam bastante as possibilidades e, em conseqüência, a freqüência.

13. Maurício Chagas de Oliveira por ele mesmo: o que o senhor faz nas horas de lazer?

Antigamente eu tinha mais lazer, sabe... Por muitos anos eu trabalhei de 6 da manhã até 11 da noite, quando chegava sábado às 6 da tarde eu já podia tomar minha cervejinha, agora só fico vendendo cerveja. Aos domingos podia tomar uma cerveja sossegado, jogar uma peteca – sou um dos fundadores da peteca no Pampulha Iate Clube de Belo Horizonte – sempre gostei de praticar algum esporte, sempre gostei de um papo, sempre gostei de gente mais velha, meus amigos sempre foram mais velhos, mais experientes que eu. Você aprende mais, tem um retorno em cada palavra.

14. Para o senhor, política é:

A própria palavra, que vem do grego, já diz: é a arte de administrar. Isso envolve muita coisa bonita e feia, mas como disse o artista “o belo e o feio na arte se encontram”, não há como se dedicar a uma coisa ou outra. A política depende de quem a pratica, há bons e maus momentos, bons e maus políticos, às vezes surpresas. Até o próprio Lula nos surpreende, não sei se ele anda muito em cima do muro mas tem horas que ele realiza e fala coisas bem gaúchas, bem mineiras ou o que for, bem “sai do muro” mesmo. 

15. Diante de tantos altos e baixos, qual é o seu antídoto para a ansiedade?

Eu falei uma coisa muito interessante que foi a humildade, adicionaria aí outra coisa que não pode andar separada que é a simplicidade. O principal tempero da humildade é a simplicidade. Se você for uma pessoa simples, gostar de coisas simples, a ansiedade se torna uma coisa simples. Quando você se complica, aí fica mais difícil.

16. Que livro o senhor recomenda?

Eu leio muito, gosto de ler romance pra distrair. Recentemente eu li “A sombra do vento”, é um livro muito bonito, li Hammingway, “Por quem os sinos dobram” e alguns outros. Livro técnico que eu achei muito interessante foi “O monge e o executivo”, livro muito bom que eu recomendo.

17. Qual é o segredo do sucesso?

Não tenho segredos e não faço segredo de nada. O melhor que se pode fazer para os filhos, amigos ou quem está por perto é ser um livro aberto. Nunca gostei de pessoas misteriosas, que fazem da sua conquista um cavalo de batalha. A gente faz tão pouco porque muito nos é dado, o que precisamos fazer é procurar retribuir aquilo que recebemos. Não é uma apologia religiosa, não é nada disso, é o que sinto. Tenho um Deus, tenho fé, acho que retribuímos muito pouco aquilo que Ele nos dá.

18. Uma frase que lhe encanta.

Por coincidência hoje eu estava ouvindo a televisão e a Ana Maria Braga tem aquele começo do programa com frases de pessoas famosas. Hoje ela pegou um cara que eu sou fã: Charles Chaplin. Ele falou cada coisa maravilhosa, e uma das que mais gostei é “quando se faz as coisas com amor não existe dificuldade, com amor você faz tudo!”.

O Hotel Residencial do Mirante é administrado pelo experiente empresário Maurício Chagas de Oliveira e gerenciado pela competente Adriana Torres, com MBA em Administração Hoteleira pelo SENAC GROGOTÓ E UFJF (Universidade Federal de Juíz de Fora), que trouxe o conceito de profissionalização dos colaboradores. Tal capacitação traz consigo qualidade e personalização no atendimento ao hóspede, sempre servidos com gentileza e sorriso no rosto, marcas do hotel. Para eventos empresarias é oferecido um salão de convenções com capacidade para até 150 pessoas, que por sua arquitetura pode facilmente ser transformado em um lindo salão de festas.
Tanto conforto, beleza e segurança estão disponíveis durante o ano todo, proporcionando momentos de relaxamento e felicidade a todos os visitantes, a apenas 100 metros da beira da praia de Guaratiba.

Hotel Residencial do Mirante
Av. Lago Maggiore, Quadra 120, Lote 20
Caixa Postal 84
Praia de Guaratiba – Prado/Ba
www.residencialdomirante.com.br
hotel@residencialdomirante.com.br
reservas@residencialdomirante.com.br
Telefax: (73) 3021-0800
 

 

 


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