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Entrevista

4. E no interior do Estado, existem novos destinos que, se bem explorados e divulgados, têm grandes chances de se transformar em potenciais centros turísticos da Bahia?

É difícil criar um novo destino na Bahia porque não há nada relevante que já não tenha sido mapeado. O que pode ser feito no interior do Estado é a criação de novos segmentos. Por exemplo, o turismo rural pode ser uma ótima ferramenta para promover o desenvolvimento de uma região. Uma cidade pode se transformar em um pólo turístico com a valorização de uma manifestação popular ou a criação de um novo evento. Outro segmento que é pouco explorado na Bahia é o turismo religioso. O que ocorre hoje, em cidades como Milagres, Bom Jesus da Lapa, é um fluxo muito grande de visitantes apenas em uma determinada data, o que cria uma sobrecarga de turistas, muitas vezes sem uma infra-estrutura adequada. Na Europa, em locais como os santuários de Fátima e Lourdes, há um fluxo regular de visitantes o ano inteiro. Existe uma infra-estrutura montada para que o devoto chegue, reze, faça os votos e peça seu milagre em qualquer dia do ano. O problema de concentrar o turismo religioso em determinadas datas é que, neste caso, só se consegue atrair romeiros. O turismo religioso é um segmento delicado de trabalhar, porque lidamos com a fé, mas se pode profissionalizar a estrutura e é um segmento que tem uma potencialidade enorme na Bahia.

5. Quais são as maiores dificuldades ou deficiências enfrentadas pelos profissionais do Turismo na Bahia?

Sou professora universitária há seis anos em cursos de turismo e hotelaria e acredito que devemos qualificar cada vez mais o profissional. O Sebrae/Bahia fez uma pesquisa em áreas estratégicas como agências, hotéis, restaurantes e operadoras e detectou que a maior carência do mercado são funcionários que falem uma língua estrangeira. Como educadora, chamo a atenção dos meus alunos: falar um idioma estrangeiro no turismo é básico; o ideal é falar mais de um. Acho que a grande dificuldade para jovens recém-formados é a possibilidade de crescimento. Hoje, isso é oferecido basicamente pelas redes hoteleiras internacionais, que são muito exigentes em relação ao padrão de funcionários. Um gerente de hotel cinco estrelas ou de um resort ganha muito bem, mas precisa falar, no mínimo, três línguas estrangeiras. Então, existe demanda por certos profissionais no mercado, mas infelizmente, na Bahia, não se conseguiu ainda qualificar adequadamente os nossos profissionais.

6. Há reclamações dos turistas sobre o atendimento, serviços? Em que áreas eles sentem carência de melhoras?

Uma das maiores reclamações, no Nordeste e na Bahia, é a qualidade do serviço. A população da Bahia tem a característica marcante da alegria e da simpatia, então no dia em que essa mão-de-obra for qualificada, teremos o melhor serviço do mundo. Existe hoje uma exigência dos operadores internacionais com relação à qualidade de serviços. Há cerca de dez anos, alguns operadores canadenses e franceses ameaçavam não mandar mais grupos para o Brasil enquanto não houvesse empresas com mão-de-obra qualificada e, depois de um certo tempo, como não houve mudanças, eles cumpriram a ameaça. Só depois disso, é que se começou a correr atrás do prejuízo. Hoje, a questão da qualificação da mão-de-obra é uma preocupação dos órgãos oficiais de turismo, não só em nível federal, com a Embratur, mas também em níveis estadual e municipal.

A própria ABAV, as entidades de classe, todos estão atentos a essa questão, porque existe um padrão internacional de serviço e se quisermos ser competitivos, temos que capacitar melhor nossos profissionais.

9. A Bahiatursa tem hoje um projeto definido para as diversas costas e destinos que compõem o turismo baiano, poderia nos falar sobre: Salvador da Bahia, Chapada diamantina, Costa dos Coqueiros, Costa do Dendê, Costa do Cacau, Costa do Descobrimento, Costa das baleias.

Um destino muito importante para a atual gestão da Bahiatursa é a Baía de Todos os Santos que, nos últimos anos, teve pouca atenção ou incentivo do Poder Público, sobretudo considerando sua importância. Já estamos iniciando uma verdadeira articulação e mobilização política, administrativa, social e empresarial para a construção de uma estratégia sustentável de desenvolvimento econômico, social, cultural e turístico da Baía de Todos os Santos, que é a maior baía tropical do mundo. Esta será uma das zonas prioritárias para investimentos em infra-estrutura, contemplados pelo Prodetur.

A SETUR e a Bahiatursa apostam na Baía de Todos os Santos como novo pólo turístico e abrigo de grandes investimentos imobiliários. Já temos boas notícias: um grande empreendimento hoteleiro e náutico deverá se instalar na Ilha de Cajaíba, que fica em frente a São Francisco do Conde, considerada uma das mais belas da região. Além disso, o Estado avalia a possibilidade de estabelecer ligações rodoviárias para possibilitar um acesso mais fácil ao entorno da baía.

A Baía de Todos os Santos também será alvo de programas de capacitação tanto de pessoas da comunidade que já trabalham na atividade turística, como também de pequenos e médios empresários. Com recursos do governo da Bahia, Ministério do Turismo e BID, o programa de desenvolvimento profissional 2007 irá contemplar também agentes de viagem e guias de turismo.

Também a Chapada Diamantina é uma zona prioritária para o turismo baiano na nossa gestão. O esforço do Governo do Estado é viabilizar o acesso à região, considerada um dos melhores destinos de ecoturismo do Brasil. Um dos instrumentos é o Projeto Decola Chapada 2007, que pretende restabelecer vôos fretados ou de carreira para o Aeroporto de Lençóis. No final do primeiro semestre, a Passaredo já inaugura um vôo para Lençóis, com saída de Ribeirão Preto e escalas em Brasília, Barreiras, Salvador e Vitória da Conquista. E para divulgar este novo vôo, haverá um press trip da Passaredo para Lençóis em março, que vai levar 30 jornalistas dos principais veículos de comunicação do país para conhecer a região.











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